Publicado por: wgadv | 24/09/2009

Cote d’azur – Foi assim como ver o mar …

Em Anecy embarcamos num trem regional que nos levou até Lyon e de lá seguimos via TGV rumo à Nice.

Já tinha visitado Nice em 2.000, mas o azul daquele mar sempre me supreendeu. Mesmo para uma brasileira, acostumada com nossas praias belíssimas, é impossível não se encantar com a Cote d’azur e o degradê de seu mar azul.

A Cote d’azur é um lugar perfeito para se percorrer de carro (ou de moto, melhor ainda). Foi exatamente o que fizemos.  Fiz a reserva do carro ainda no Brasil e retirei no aeroporto de Nice (não sabia que podia retirar o carro na estação de trem que também tem stand de locação, mas fica a dica para a próxima viagem).

Recebemos o carro, um renault compacto e econômico, a diesel e instalamos o GPS que meu marido havia comprado em Paris, nas galerias Lafayette, após um esforço linguístico homérico, com duas palavras “Tom Tom”. E  lá estavamos nós, na Cote d’azur, guiados por um GPS de nome “Joaquim”, que nos orientava em português de Portugal, com pérolas de rolar de rir, do tipo “saia na saída” e “rode na rotunda”.

Mas se não fosse o Joaquim … o GPS foi um investimento que valeu mesmo cada euro gasto (e foi mais barato do que os vendidos no Brasil …). Aliás, o que gastamos no GPS praticamente economizamos em pedágios (muito caros nas auto estradas). O Joaquim calculava a rota “pedagiada” e a sem pedágio (mais longo, é lógico, mas com paisagens deslumbrantes …).

Nice é a maior cidade da Riviera Francesa, com seu calçadão se estendendo na orla, com bancos a beira mar, praias particulares e praias públicas.  O topless é abertamente permitido mas, na maioria, é praticado por senhoras, tipo “avós” mesmo (beleza não tem idade). Em Nice, a areia foi substituiída por pedregulhos (já que a praia, em grande parte, foi fabricada, pois a terra já desembocava direto no Mar Mediterraneo, sem recuo).  Em Cannes e Saint Tropez a areia é verdadeira, fina e farta, uma delícia… 

Na Riveira Francesa é muito comum encontrar um banhista literalmente se trocando na praia, eles chegam vestidos e colocam o biquini/sunga ali mesmo, na frente de todo mundo. Eu estava admirando o por do sol em Nice quando uma senhora arreou as calcinhas na minha frente, tirou o biquini da bolsa, vestiu a parte de baixo, guardou a calcinha na bolsa e foi se banhar no mar (também era adepta do topless). Em Cannes assisti a mesma cena com um rapagão que jogava futebol e que resolveu trocar de roupa e colocar a sunga para dar um mergulho .. sem comentários.

A gastronomia é um assunto a parte … os frutos do mar são deliciosos, sempre acompanhados por um bom vinho (forte, aliás, muito forte).

Indo a Nice, vale a pena “esticar” até Monaco (cerca de 30 minutos de carro), zigue zagueando pela estradinha sinuosa onde morreu Grace Kelly. Monaco é um principado independente e cujo salário mínimo deve ser o mais elevado do mundo. É um mundo a parte, a marina, o cassino em Monte Carlo (que pertence à família real e onde seus integrantes não podem entrar para não jogarem a própria fortuna fora….), o Palácio, o circuito da formula 1, as lojas de grifes e os carros, ah e que carros! Vale a pena pousar de rico e gastar 10 euros em uma coca cola na praça do cassino …

Entre Nice e Antibes pegamos um desvio para as montanhas (aliás o nome que dão à estrada é mesmo “rota das montanhas”)  e a poucos quilometros do Mar Mediterraneo nos supreendemos com Saint Paul de Vence, uma cidadela de pedra, antiga, ao estilo provençal, com flores coloridas crescendo nas janelas e nos muros, lojas de artesanato, miudezas e crepes, onde Pablo Picasso ficou e se encantou por um tempo, um presente para os olhos … 

Seguindo pela Riveira, saindo de Nice,  passamos por Cap Antibes, famosa pelos esportes a vela. Cannes  (aquela mesma do festival de cinema) abriga uma linda orla, com calçadão e gente bonita. Tem prédios baixos, bistros e deliciosos restaurantes margeando a orla.  Saint Tropez tem uma pracinha central, é pequena e charmosa, um misto de Buzios com ar hippie chique, dá vontade de ficar e ficar …

De Saint Tropez demos adeus ao mar e seguimos direto rumo à Provence, às flores, aos pefumes e às janelas coloridas …

CANNES

CANNES

Marina de Monaco

Marina de Monaco

Saint Paul de Vence

Saint Paul de Vence

Cannes
Cannes

cannes 162

Publicado por: wgadv | 02/07/2009

Alpes Franceses

Saindo da Holanda, cruzamos a Belgica (Brugges, uma cidade medieval cortada por canais, com cheiro delicioso de chocolate, clima de Natal e um inusitado museu de objetos eróticos realmente vale a pena – vide fotos) e de volta a Paris embarcamos no famoso TGV (trem de alta velocidade), partindo da Gare de Lyon, rumo à Anecy, nos Alpes Franceses, passando pela famosa estação de esqui de Chamonix.

Na Gare de Lyon descobri que não havia portas de acesso nos banheiros masculino e feminino, divididos, apenas, por duas catracas, então, enquanto a mulherada lavava as mãos e arrumava o cabelo literalmente no meio da estação (o restante era feito nas portinhas privativas), no lado masculino, surgia uma procissão de bundas, de todas as cores e idades usando o mictório (graças a Deus, pelo menos, o numero 2 era feito nas casinhas fechadas).  Será que os franceses paqueram até fazendo xixi??

Bem, superado o trauma do banheiro, embarcamos no TGV, superconfortável, com vagão restaurante (mas muito caro, melhor é tirar da mochila uma baguete e uma garrafinha de vinho, ao estilo francês) e absolutamente sonífero, não sei se a culpa foi da velocidade (a viagem de carro iria durar 6 horas, com o TGV, 3 horas) ou do cansaço das férias, mas apagamos no trem. Acordamos um pouco antes de Chamonix (e 2/3 do vagão continuava dormindo), com a linda visão dos Alpes franceses, com os cumes já cobertos de neve, ainda no início de Outubro.

Daí seguimos para Anecy, pequena e linda cidade, com paisagens inequecíveis … as flores circundando os canais que cortam o centro da cidade, as ruelas medievais, o lago de Anecy, o parque e seus banquinhos para dormir e comer, a visão fantástica do Mont Blanc e saber que na outra margem do lago, já é a Suiça e seus picos de sorvete de creme.

O ar é puríssimo, o povo é muito agradável (uma senhora, caixa do supermercado, até me emprestou o mapa da cidade, confiando que eu o devolveria no final do expediente… ainda bem que sou honesta), parece Campos de Jordão em uma escala maior, com uma estória medieval, um parque belíssimo e um lago que faz divisa com a Suiça, ah e é claro, com neve de verdade! É um lugar perfeito para viver e envelhecer ao lado de quem se ama… e valeu tantos cliques que ou separar uma página do blog só para eles.

Mas se você for de trem, não há escada rolante de acesso entre as plataformas e a saída, então esqueça as malas tradicionais de rodinha, leve uma mochila , porque haja folego para subir dois lances de escadas carregando as malas! Se for de trem, vá de mochila!

 

Brugges - Belgica

Brugges - Belgica

Brugges e seus canais

Brugges e seus canais

é de chocolate de Brugges

é de chocolate de Brugges

Publicado por: wgadv | 20/06/2009

HOLANDA – UM DESVIO QUE VALE A PENA

Inclui a Holanda no roteiro apenas porque ela já fazia parte do pacote “Paris-Países Baixos” que adquirimos na agência de viagens. Mas mordi a lingua com esse “apenas”. A Holanda é fascinante! Sua existência desafia a lógica: como pode um país estar abaixo do nível do mar?? Realmente, se Deus inventou o mundo, os holandeses inventaram a Holanda, com seus diques. Percorrer a Holanda com GPS é aterrorizante… o monitor mostra a estrada bem no meio e na laterais, água, água, água, o problema é quando nos damos conta que a água está acima de nós! Louvados sejam os diques, Graças a Deus e aos Holandeses.

Ficamos em um vilarejo de pescadores, perto de Amsterdam, chamado Volendam, o clima é muito frio mas o ambiente é acolhedor, ótimo para uma cerveja encorpada. E  o céu de Volendam a noite … acho que nunca mais vou esquecer, um céu misturado com fogo, um nascer do sol de faz de conta, às 3 horas da manhã,  simplesmente lindo

As casas são todas construídas com tijolos porque na Holanda não existem pedras (é lógico, porque não há montanhas na Holanda, apenas planícies). Na área rural, os moinhos e as vaquinhas de leite não são apenas para turista ver, existem aos montes e tornam o cenário um verdadeiro cartão postal (isso, sem contar as flores que colorem as planícies).

O clima é uma surpresa, chove, garoa, venta, faz sol, céu azul, céu nublado, tudo no mesmo dia! Aliás, tenho comigo que as vaquinhas holandesas devem sofrer da coluna, de tanto senta e levanta, já que quando vai chover elas se sentam e quado sai o sol elas se levantam…

Mas isso me fez lembrar de Amsterdam, que cidade! Se você for de trem ou de ônibus, dos vilarejos próximos (like me), vai desembarcar a poucos passos do Bairro Vermelho. Sim, aquele famoso, com mais de uma centena de casas da luz vermelha … A regra lá é NO LIMITS, drogas, sexo e qualquer coisa mais (porque rock’n roll lá já é careta). Observar os olhares ansiosos dos turistas aos montes pelas ruas estreitas, quase correndo, procurando o que fazer com a total liberdade é um exercício filosófico…  enquanto eu olhava o canal com seus cisnes brancos  e, do outro lado da rua, em um dos “estabelecimentos”,  uma senhora com a idade da minha avó oferecia as pelancas sexuais na vitrine, fiquei imaginando o que fazer com essa tal liberdade … é incrível, dê liberdade ao ser humano e muito provavelmente, ele vai sair correndo se drogar, se embebedar e pagar por sexo, em outras palavras, dê a liberdade e ele foge da realidade … mesmo que a realidade não tenha limites, como em Amsterdam. Não é estranho??? 

Mas deixando a filosofia de lado, o Bairro Vermelho é, realmente, tudo o que se espera dele, você pode comprar haxixe em “pedaços” (você escolhe a medida), se entupir de “space cake”, chupar um pirulito de canabis, ouvir “do you like cocaine?” (é a frase mais banal do mundo), você pode pegar a mulher que quiser na vitrine (é só escolher, por todos os ângulos, elas mostram), novas, maduras ou senhoras, tipo vó mesmo (porque normalmente elas se dedicam a profissão até se aposentarem, o governo é que paga a aposentadoria). Na maioria são realmente muito “bonitas” (embora eu continue achando que grande parte não é holandesa). As únicas regras são:  não olhar demais (senão vai ter que  ”comprar” na marra mesmo, porque no Bairro Vermelho ajoelhou tem que rezar) e jamais filmar ou fotografar as vitrines sem autorização – vi uma turista desavisada levar uma garrafada na cabeça, de um leão de chácara, por conta da infração.

Estava num pub, no Bairro Vermelho, acompanhando uma colega da excursão que fumava na porta do pub (porque pasmem! o dono do pub não deixava fumar cigarro de tabaco lá dentro, só o resto …), olhando a fila do outro lado do canal, para um show de stripper, quando esse mesmo dono nos apresentou um amigo grego que disse ser “vendedor de sonhos” …. sem mais rodeios ele me perguntou o que eu queria? drogas, armas, ouro, homens, mulheres? qual é seu sonho? – me disse ele.  Respondi simplesmente: “eu quero paz”, ele sorriu, deixou o cartão de “Presidente de uma trading”  e foi embora.  Paz ele não tinha para vender. Joguei o cartão fora e meu marido fingiu não ver nada (assim como eu fingi, também, que ele não tinha visto nada a noite inteira …)

Bem, mas não pensem que Amsterdam é só o Bairro Vermelho (que aliás, como disse, vale muito à pena, como experiência filosófica ou pura diversão). Amesterdam é uma cidade linda, cortada por canais, tem um mercado de flores flutuantes deslumbrante (ai que vontade de trazer umas sementes, mas a alfândega não deixaria …), preza pela organização, tudo é esteticamente equilibrado, agrada a visão, é limpíssima. Na mesma rua convivem (sem um encontrão) pedestres, carros (mini coopers aos montes), bicicletas (mania nacional, há vários estacionamentos de bikes, algumas até com carrinho de bebês acoplados), motos, ônibus e bondes! Não vi um acidente sequer.

As lojas de antiquários são inúmeras, vale a visita; a emocionante casa de Anne Frank (a menina do Diário, mais uma vítima da selvageria nazista), o museu de Rembrandt (o mestre da luz e da sombra) e o impedível museu de Van Ghog.

Amesterdam respira arte e cultura Fiquei de boca aberta, literalmente, ao encontrar meninos e meninas de uns 5 anos de idade visitando o museu de Rembrandt com a professora, brincando de “colorir”, a reprodução de uma tela do mestre (não o carrinho ou a bola,  como as revistinhas aqui do Brasil). Na Holanda, o ensino é totalmente público e os pais pagam multa se a criança faltar sem motivos na escola.

No final, me convenci que para os holandeses, liberdade é educação. O Bairro Vermelho é para os turistas. Mas isso é apenas a minha opinião. O ponto certo mesmo é que a Holanda vale uma visita, bem demorada de preferência, porque há muita coisa para ver e descobrir. Mas nossa viagem estava apenas começando…

Bairro Vermelho - Amsterdam

Bairro Vermelho - Amsterdam

Mercado de flores - Amsterdam

Mercado de flores - Amsterdam

      amesterda 608

Holanda (Volendam) - 3 da manhã

Holanda (Volendam) - 3 da manhã

Publicado por: wgadv | 18/06/2009

PARIS (PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES …)

Todos os caminhos levam a Paris, ida e volta, dia e noite.  Escrever sobre Paris é pura  prepotência, Paris não se escreve, Paris se vive, se respira. Paris é paupável, degustável, é a cidade dos sentidos. Mas para viver Paris de verdade, não tenha vergonha de ser turista. Seja muito turista, mesmo (só não vale a camisa florida e a bermuda cáqui horrorosa). Apanhe um mapa no saguão do hotel (ou nos escritórios de turismo, espalhados aos montes pela cidade), se abasteça de moedas para comprar tickets de metrô (realmente, o melhor meio de transporte em Paris) e visite todos os pontos turísticos indicados em qualquer  guia da cidade, todos são imperdíveis e com nomes conhecidos. Ah, se tiver tempo, visite os mesmos lugares durante o dia e a noite, você vai se supreender como o brilho das luzes noturnas ou os raios do sol fazem de Paris uma cidade “nigth and day”. 

Entre no clima e compre uma baguete (são deliciosas, dá até para comer pura), uma garrafa de vinho, copos de plástico (para não quebrar na mochila), encontre um dos infindáveis gramados de Paris e faça um piquinique (de preferência muito bem acompanhado), as folhagens de nuances avermelhadas servirão de moldura e o cenário, bem o cenário é indescritível. Depois, aproveite para “lagartear”,  o verbo preferido dos franceses,  fique assim sem fazer nada, sentindo no rosto os raios de sol esquentando pouco a pouco. 

Não perca o Bairro Latino, boemia garantida e não deixe de venerar a Notre Dame, a Bíblia viva, impressionante.

Finalmente, se encante com a Avenida da Opera, com as grandes galerias e, para variar, conheça um atêntico mercado de pulgas, na periferia da cidade (que também é muito interessante). Visite um bistrô e se encaixe nas mesas, onde os cotovelos ficam colados, pessoa a pessoa, tamanho pouco espaço (só não beba muita cerveja, porque sair da mesa exige manobras difícies e muito treino) – vai ver que é por isso que os franceses preferem o vinho que não é diurético. 

Mapa na mão, caminhe muito, tire fotos, visite os grandes e pequenos museus,  namore, percorra o Sena em pequenos (ou grandes) barcos, assista um jogo de futebol no Estade de France (eu assite, França x Tunisia e, acreditem, ir ao estádio lá é programa para toda a família e excursão de pré-escola!).

Paris Noite

Paris Noite

Faça pose e tire fotos em todos os lugares (mesmo)  e principalmente, nos “manjados”, na Torre Eifel, no Louvre, no Arco do Triunfo, na Sacre Cour, etc, pois não é cafona e nem falta de criatividade, é porque todos esses lugares são realmente lindos.  Ah! não deixe de comer o crepe da barriquinha em frente a Torre Eifel, imperdível, igual a Paris.

 E se depois de tudo isso você não quiser voltar a Paris, é porque, meu amigo, você nem saiu de lá…

 

 

       

Publicado por: wgadv | 04/05/2009

Preparativos

Comecei minha epopéia compparis-252rando um guia ilustrado da França e durante quatro meses fiz e refiz vários roteiros.

Sabia exatamente o que queria visitar (o país cataro, é lógico) mas, percebendo o desanimo de meu marido (que como pessoa normal que é não sabia se  cátaro era um local, um povo ou uma comida), perguntei se ele queria visitar algum lugar em especial na França.  Sua resposta foi condizente com sua pele bronzeada e seus olhos ensolarados:  “praia”. E então, mesmo tendo programado nossa viagem para final de setembro e outubro (em pleno outono europeu), comecei a rabiscar roteiros na Cote d’ azur, na Riviera Francesa (que aliás, é imperdível).

Também, pesquisei muito na internet, há vários sites de “auto ajuda” para viajantes solitários, de primeira viagem. As revistas especializadas também foram ótimas. Pesquisei todos os meios de transporte na França e decidi fazer uma parte do trajeto de trem e a outra em um carro alugado (sob a direção do Beto, meu marido). Até o começo de Agosto de 2.008, agia no singular, pesquisava, lia, traçava roteiros, ligava, fazia cotações, criava coragem … até que entrei num agência de viagens  e voila! comprei as passagens aéreas, marquei a data de ida e volta e meu marido, finalmente, acreditou na minha insanidade e teve que correr para marcar sua férias na empresa, porque dali a pouco mais de um mês nossa ( e não somente a minha) aventura de 20 dias  iria começar. 

Quando estava na agência, tive a idéia de adquirir um pequeno pacote de viagem (desses de 5 dias), pensando que talvez fosse melhor para facilitar nosso ingresso na França (o risco de ser barrado ainda no aeroporto, pela imigração,  sempre existe), baratear nossa estadia em uma das cidades mais caras do mundo (Paris) e, é lógico, para nos “ambientarmos” em  solo estrangeiro, com lingua estranha, antes de ficarmos completamente sós. Assim, fechei um micro pacote para Paris – Amsterdã – Paris, de lá seguiríamos sozinhos, via trem e carro, dando a volta na França.

Por falar em idioma, comprei um guia rápido com frases úteis em francês (do tipo “minha privada quebrou” e – acreditem – tive que utilizar a frase, em francês, em um hotel em Paris) e um dicionário para não comprar, por engano, carne de coelho no supermercado. Um dicionário inglês/português sempre ajuda também (muito embora no interior da França, na parte menos turística, poucos falem inglês).

Bem, marcada a passagem e definido o roteiro, pesquisei e fiz as reservas dos hotéis através da internet (é super seguro e não tivemos nenhum problema), assim como o destino dos trens (compramos os tickets aqui em São Paulo mesmo)   - no nosso caso, um TGV. Alugamos, também via internet, um carro de categoria “econômica” (por amor ao preço do combustível que aliás, só seria definido – gasolina ou diesel – lá mesmo, na França, porque a reserva por carro a diesel – mais barato – era impossível de antemão). Fechamos o seguro obrigatório de 30.000 euros, pedimos, cada um, Beto e eu, cartões de crédito adicionais e compramos euros suficientes apenas para pequenas despesas (pois nossa idéia era centralizar as despesas maiores – estadia, combustível, refeições, compras – nos cartões de crédito, o que deu muito certo) e esperamos a data de embarque.

Ah, é lógico que intensifiquei minhas sessões de terapia, quase supliquei para o juiz assinar, finalmente, a guia de levantamento de meus honorários de advogada (em um processo que ganhei depois de 10 anos de briga) – meu único recurso financeiro para patrocinar nossa viagem – e me abasteci de remédios para sindrome do pânico, todos com receita médica traduzida para o inglês.   Me despedi de familiares e amigos, passei meu serviço para a minha sócia (que teve que tocar o escritório sozinha durante a minha escapada mística cátara) e quase morri com o peito apertado, o coração na boca, em deixar minha filha, chorando (e eu também), quando segui para o aeroporto.

E então, finalmente, viajamos.

Publicado por: wgadv | 26/04/2009

Uma volta na França em 20 dias

O INÍCIO – PAIXÃO CÁTARA 

simbolo cátaro - Minerve - França

simbolo cátaro - Minerve - França

 

 

Tudo começou com os cátaros, aquele povo honrado, espiritualizado, heróico e que quase ninguém conhece.

Os cátaros  habitaram o sul da França,  na região hoje conhecida como Languedoc e foram dizimados (queimados) pela Igreja Católica em 1244, após meio século de horrenda perseguição. Com eles a Igreja inventou ( e treinou) a Santa Inquisição, matando todos, crianças, jovens, velhos, cátaros e amigos de cátaros (porque, disse o Papa Inocêncio III, na ocasião,  “matem todos, pois Deus conhece os seus” ou alguma atrocidade parecida).

Falavam a língua occitana (na qual o “oc” quer dizer sim) e eram independentes da França. Acreditavam que o homem podia encontrar Deus diretamente, sem intermediários (tais como os padres), sem pagamento de indulgências ou dízimos. Acreditavam na reencarnação e que a missão do homem como espírito, era o progresso contínuo.

Ah e já naquele tempo, pregavam a igualdade das raças  e dos sexos (sim, a mulher tinha voz e alma!)

Como é que eu podia não me apaixonar?  Foi paixão à primeira página e a cada dia eu precisava saber mais desse povo sumido há quase oitocentos anos.

Então, uma parte irracional do meu cérebro começou a planejar,  secretamente, uma viagem para o pais cátaro, desprezando, por óbvio, a falta de dinheiro, a falta de tempo, a falta de coragem e todas as faltas que tem de sobra na vida da gente.

Mas a paixão cátara foi mais forte e um dia, eu sabia, tive que pegar um avião, atravessar o oceano, carregar meu marido, deixar minha filhinha em solo brasileiro e partir para o país cátaro, onde também encontrei a França.

E assim começa a estória …  

 

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